Numa declaração pública sobre o falecimento do ex-bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, o actual bastonário, Carlos Maurício Barbosa, expressou a sua “profunda tristeza” e endereçou, “em nome de todos os farmacêuticos portugueses”, os pêsames à Família.
Maurício Barbosa recorda o ex-bastonário como um homem de “grandes princípios”, sublinhando o prestígio e a dignidade que emprestou à profissão farmacêutica ao longo da sua vida. “A profissão farmacêutica muito lhe fica a dever”, acrescentou.
O actual bastonário destaca ainda o grande prazer e o elevado privilégio de ter podido contar com Alberto Ralha na comissão de honra da sua recente candidatura à Ordem dos Farmacêuticos.
Eleito bastonário em Maio de 1980, após um período de grande instabilidade na Ordem dos Farmacêuticos, Alberto Ralha foi o obreiro da “reconstrução”, não só do edifício-sede da Ordem dos Farmacêuticos, mas também da própria profissão.
Com a sua eleição, a Ordem encontrou de novo o seu caminho, pois o prestígio de Alberto Ralha permitiu a afirmação da instituição e dos farmacêuticos junto do poder político.
Foi no seu mandato que se iniciou a valorização do papel do farmacêutico analista clínico, com a exigência do título de especialista para a direcção técnica dos laboratórios de análises clínicas e com a assinatura da 1.ª convenção para a prestação de serviços aos utentes do Serviço Nacional de Saúde.
Quando o Prof. Alberto Ralha foi nomeado secretário de Estado do Ensino Superior suspendeu o mandato como bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, tendo sido substituído interinamente pelo Prof. Amaral Albuquerque. No entanto, durante este período, nunca deixou de estar atento às inúmeras questões pendentes que a Direcção Nacional tinha entre mãos, participando muitas vezes na sua resolução.
De recordar, em especial, entre outros acontecimentos, a intervenção do bastonário Alberto Ralha no 1.º Congresso de Ciências Farmacêuticas, em 1983, onde transmitiu a sua visão da profissão e das Ciências Farmacêuticas, que pode ser considerada um marco na profissão farmacêutica em Portugal.
Filho do dono de uma farmácia em Lisboa, Alberto Ralha licenciou-se em 1943, pela Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Foi professor de Química Orgânica Farmacêutica na mesma Universidade, numa carreira académica que o viu frequentar, mal acabou a Segunda Guerra Mundial, as Universidades de Madrid, Zurique e Basileia, para além do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), em 1953.
Entre 1949 e 1970, assumiu a direcção de investigação e desenvolvimento do Laboratório Normal, que a multinacional farmacêutica Ciba-Geigy veio mais tarde a absorver.
Foi o primeiro director do Laboratório Nacional da Polícia Científica, abrindo uma nova era na investigação criminal em Portugal e mantendo-se nesse cargo entre 1957 e o início da década de 1970. Entre Março de 1984 e Dezembro de 1986 assume o cargo de presidente do Instituto Nacional de Investigação Científica.
A carreira de Alberto Ralha no sector da educação começou no início na década de 1970, quando liderou o Secretariado da Reforma Educativa criado pelo então ministro da Educação, Veiga Simão.
O 25 de Abril de 1974 encontrou Alberto Ralha como director-geral do Ensino Superior. Entre 1963 e 1974, pertenceu também ao Conselho Consultivo de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian e ao grupo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que estudava as necessidades de investigação científica e técnica para incentivar o desenvolvimento económico.
Depois de ter sido secretário de Estado do Ensino Superior no Governo de Pinto Balsemão, Ralha voltou ao cargo aos 66 anos, tornando-se, em 1987 secretário de Estado do Ensino Superior, quando Roberto Carneiro era ministro da Educação e Cavaco Silva primeiro-ministro.
Com a saída do executivo de Cavaco Silva, António Ralha passa a presidente da Comissão Nacional do Programa para o Desenvolvimento Educativo em Portugal, até 1994.
Casado com Isaura Xavier Ralha, já falecida, António Ralha teve dois filhos – o pintor e designer José Manuel Ralha (também já falecido) e a professora universitária Maria Helena Ralha Simões, para além de cinco netos e dois bisnetos.
Neste momento de luto, a Ordem dos Farmacêuticos expressa a sua profunda gratidão e presta a sua última homenagem a Alberto Correia Ralha, que dedicou a vida a prestigiar os farmacêuticos, a Farmácia portuguesa e Portugal. |