A sessão de abertura do Symposium realizado na FFUL contou com as presenças do presidente do Conselho do Colégio de Especialidade de Indústria Farmacêutica da OF, Nuno Moreira, do director da FFUL, José Morais, e do presidente do EIPG, Gino Martini, que proferiu uma palestra intitulada “The ever changing face of the pharmaceutical industry and the role of EIPG”.
Na intervenção seguinte, o bastonário da OF apresentou aos participantes o sector farmacêutico português e as competências da Ordem na regulação do exercício da actividade farmacêutica.
Carlos Maurício Barbosa começou por revelar alguns indicadores de saúde em Portugal e abordar a organização do sistema nacional de saúde.
No que ao sector farmacêutico diz respeito, o bastonário falou sobre o ensino de Ciências Farmacêuticas no nosso país e sobre as diferentes áreas de intervenção profissional.
No caso específico da Indústria Farmacêutica, Carlos Maurício Barbosa explicou que a OF é a entidade responsável pela atribuição do título de especialista em Indústria Farmacêutica. Neste âmbito, recordou que os titulares de autorização de introdução de medicamentos no mercado têm obrigatoriamente como director técnico um farmacêutico com o título de especialista em Indústria Farmacêutica, o que corresponde, em termos europeus, ao conceito de “qualified person”.
“Na Indústria Farmacêutica, o farmacêutico deve cumprir as Boas Práticas de Fabrico e Distribuição, bem como as guidelines a nível clínico e regulamentar, de modo a garantir a qualidade, segurança e efectividade dos medicamentos e produtos de saúde”, disse o bastonário.
Carlos Maurício Barbosa destacou ainda que os farmacêuticos que exercem a sua profissão neste ramo de actividade estão envolvidos em áreas como a investigação, desenvolvimento e inovação, na produção de medicamentos e controlo de qualidade, nos assuntos regulamentares e no marketing e gestão de produto.
De acordo com os dados apresentados pelo bastonário, operam actualmente no mercado nacional 132 companhias farmacêuticas (90 internacionais e 42 nacionais). 80 companhias actuam no mercado dos medicamentos de marca e 22 nos medicamentos genéricos. Existem também em Portugal 20 unidades de produção de medicamentos.
O representante dos farmacêuticos portugueses destacou, em particular, o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela companhia farmacêutica nacional Bial, na pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos.
Na sua opinião, os farmacêuticos de indústria têm de enfrentar alguns desafios, desde logo, demonstrar todo o seu potencial enquanto técnicos especialistas do medicamento. “As necessidades de redução de custos podem criar a ideia – diria mesmo a ilusão – que profissionais menos qualificados podem desempenhar as funções dos farmacêuticos na Indústria”, salientou o bastonário. Contudo, “a OF tem uma perspectiva bastante realista sobre o seu papel no cluster português da saúde, que é um dos sectores mais competitivos da economia portuguesa”, recordou.
Segundo Carlos Maurício Barbosa, “o farmacêutico deve redescobrir as áreas clássicas da Indústria Farmacêutica, como o Fabrico e o Controlo da Qualidade, que têm vindo a ser ocupadas por outros profissionais”.
O bastonário considera também imperativo promover a colaboração entre as universidades e a Indústria Farmacêutica. “Tal como outros farmacêuticos, o farmacêuticos de Indústria tem continuamente de actualizar os seus conhecimentos nas áreas clássicas e tem de se envolver nas áreas emergentes, como a Biotecnologia e Nanotecnologia”, defendeu.
O dirigente da OF referiu-se ainda ao problema da contrafacção de medicamentos, defendendo um reforço da colaboração entre a Indústria Farmacêutica e os outros stakeholders, na adopção de mecanismos de segurança que permitam a identificação, autentificação e rastreabilidade dos medicamentos. |