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Como se classificam os medicamentos relativamente às condições de dispensa?
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Os medicamentos de uso humano são classificados, quanto à dispensa ao público, como medicamentos sujeitos a receita médica ou medicamentos não sujeitos a receita médica.
Os medicamentos sujeitos a receita médica podem ser classificados como:
- medicamentos de receita médica renovável;
- medicamentos sujeitos a receita médica
especial;
- medicamentos de receita médica restrita, de utilização reservada a certos meios especializados.
Os medicamentos não sujeitos a receita médica podem ser classificados como:
- medicamentos não sujeitos a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia;
- medicamentos não sujeitos a receita médica, de dispensa em qualquer estabelecimento autorizado.
Como se determina a classificação do medicamento quanto à dispensa?
- O seu uso sem vigilância médica, para o fim a
que se destina, pode constituir um risco, direto ou indireto, para a saúde
do doente;
- O seu uso
frequente, em quantidades consideráveis, para fins diferentes daquele
a que se destina, pode constituir um risco, direto ou indireto, para a
saúde;
- Contém substâncias ativas, ou preparações
à base dessas substâncias, cujos efeitos terapêuticos ou adversos
seja indispensável aprofundar;
- É administrado por via injetável.
O que distingue os vários tipos de medicamentos sujeitos a receita médica?
MEDICAMENTOS DE RECEITA MÉDICA RENOVÁVEL
Podem ser adquiridos mais de uma vez sem necessidade de nova prescrição médica, por se destinarem ao tratamento de determinadas doenças ou a uso prolongado.
MEDICAMENTOS SUJEITOS A RECEITA MÉDICA ESPECIAL
Preenchem uma das seguintes condições:
- Contêm substâncias estupefacientes ou psicotrópicas;
- Apresentam risco elevado de uso inadequado, com risco de abuso, dependência ou utilização para fins ilegais;
- Incluem substâncias que, devido às suas propriedades, ou por constituírem uma novidade, se receie poderem acarretar os riscos acima referidos.
MEDICAMENTOS SUJEITOS A RECEITA MÉDICA RESTRITA
São medicamentos de uso ou prescrição condicionada, por se incluírem numa das seguintes situações:
- O seu uso tem de ocorrer exclusivamente em meio hospitalar;
- O diagnóstico da doença a que se destinam deve ser efetuado apenas em unidades diferenciadas (como hospitais);
- Apesar de utilizados fora do hospital (em ambulatório), requerem vigilância especial durante o tratamento, por poderem estar associados a reações adversas muito graves.
Quais as diferenças entre os dois tipos de medicamentos não sujeitos a receita médica?
Os medicamentos não sujeitos a receita médica podem ser vendidos em qualquer estabelecimento autorizado, como farmácias, parafarmácias e supermercados.
Os medicamentos não sujeitos a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia são medicamentos que, devido às suas indicações terapêuticas ou perfil de segurança, apenas podem ser dispensados em farmácias comunitárias, mediante intervenção do farmacêutico e aplicação de protocolos de dispensa aprovados pelo Infarmed, após consulta à Ordem dos Farmacêuticos.
Os protocolos
definem as
condições de dispensa destes medicamentos, nomeadamente a indicação terapêutica
para a qual o medicamento pode ser dispensado exclusivamente em farmácia, sem
receita médica, e as situações que excluem essa possibilidade.
Os medicamentos podem mudar de classificação quanto à dispensa?
Sim. Os medicamentos podem ser reclassificados, habitualmente de medicamento sujeito a receita médica para medicamento não sujeito a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia.
A alteração para medicamento não sujeito a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia depende de que a substância ativa conste da lista definida pelo Infarmed. Depende ainda de que as indicações terapêuticas, a informação do medicamento, como o folheto informativo e a rotulagem, bem como a dimensão da embalagem cumpram as condições previstas no respetivo protocolo de dispensa.
O procedimento de reclassificação pode ser iniciado pelo Infarmed, que notifica o titular do medicamento para submeter o pedido, ou pelo próprio titular da autorização de introdução do medicamento, que pode requerer a alteração da classificação.
Em certos casos,
o medicamento pode manter uma autorização de introdução do medicamento como
medicamento sujeito a receita médica para condições que, para proteção da
saúde púbica, exigem prescrição, e, simultaneamente, ter uma nova
autorização de introdução do medicamento como medicamento não sujeito a receita
médica de dispensa exclusiva em farmácia, para indicações abrangidas pela
dispensa exclusiva em farmácia sem necessidade de receita médica.
Em que situações é que os medicamentos são reclassificados para medicamentos não sujeitos a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia?
A reclassificação de um medicamento sujeito a receita médica para medicamento não sujeito a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia ocorre quando estão reunidas condições que garantem a sua utilização segura e eficaz sem necessidade de prescrição médica, mas ainda com necessidade de intervenção de um profissional de saúde.
Esta mudança acontece, por exemplo, quando:
- A segurança do medicamento está bem estabelecida, com um perfil de risco conhecido após vários anos de utilização;
- As indicações terapêuticas são limitadas e bem definidas;
- Existe baixo risco de reações adversas graves, interações significativas ou uso indevido;
- A posologia é simples e a duração do tratamento é curta;
- O medicamento não exige diagnóstico médico complexo ou monitorização clínica contínua.
Quais as vantagens dos medicamentos não sujeitos a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia?
Os medicamentos não sujeitos a
receita médica de dispensa exclusiva em farmácia alargam as condições de
saúde que podem ser tratadas sem necessidade de prescrição médica, facilitando
o acesso dos utentes a tratamentos eficazes para situações ligeiras e
autolimitadas. Isto vai contribuir para reduzir a pressão sobre os serviços
médicos, libertando recursos para casos mais complexos. A garantia de
avaliação e intervenção prévia do farmacêutico, de acordo com os protocolos
de dispensa, proporciona o aconselhamento necessário ao uso correto
dos medicamentos, à prevenção de riscos associados ao seu uso e ao
encaminhamento atempado para o médico sempre que necessário.