Eclipse solar: como observar em segurança
- Cidadão
- PROMOÇÃO DA SAÚDE
No dia 12 de agosto de 2026, Portugal terá a oportunidade de assistir a um eclipse solar, um fenómeno raro que poderá ser observado em todo o país. No território continental, a Lua ocultará entre cerca de 92% e 99% do disco solar, consoante a localização. O eclipse será total apenas numa pequena área do Parque Natural de Montesinho, em Bragança. Nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, a ocultação deverá situar-se entre 74% e 77%.
O eclipse ocorrerá ao final do dia, prevendo-se que o momento máximo aconteça por volta das 19h30, o que coincide com o pôr do sol.
Para escolher o local de observação, será importante ter em conta não só as condições meteorológicas, mas também a existência de edifícios, árvores, montanhas ou outros obstáculos que possam impedir a visibilidade.
Este será um momento raro e fascinante, capaz de despertar a curiosidade de crianças e adultos. No entanto, olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada pode provocar lesões oculares graves e permanentes.
Encontrará aqui informações
importantes para que possa observar o eclipse em segurança.
O que é um eclipse solar?
Um eclipse solar acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol, ocultando total ou parcialmente a luz solar e projetando a sua sombra sobre determinadas regiões do nosso planeta.
Dependendo do alinhamento dos três astros e do local onde se encontra, um eclipse solar pode ser:
- Total, quando a Lua cobre completamente o disco solar durante alguns instantes, criando um período de escuridão semelhante ao anoitecer;
- Parcial, quando apenas uma parte do Sol fica encoberta pela Lua, resultando numa diminuição parcial da luminosidade;
- Anular, quando a Lua passa em frente ao Sol, mas devido à sua maior distância da Terra, não o cobre totalmente, permanecendo visível um anel luminoso.
Mesmo quando a maior parte do
Sol está oculta e a luminosidade ambiente diminui, a parte que permanece
visível continua a emitir radiação suficientemente intensa para causar lesões
nos olhos.
Porque não deve olhar diretamente para o Sol?
Olhar diretamente para o Sol pode lesar a retina, a estrutura localizada no fundo do olho que capta a luz e participa na formação das imagens. A lesão afeta sobretudo a mácula, a região central da retina responsável pela visão nítida e detalhada.
Esta lesão, conhecida como retinopatia solar, pode ocorrer sem dor imediata, uma vez que a retina não possui recetores de dor. Por esse motivo, a pessoa pode não perceber imediatamente que sofreu uma lesão
Os sintomas podem surgir
algumas horas depois da exposição e incluir:
- Visão desfocada;
- Mancha escura ou ponto cego no centro da visão;
- Distorção das imagens;
- Alteração da perceção das cores;
- Sensibilidade à luz;
A utilização de óculos de sol comuns é suficiente para proteger os olhos durante o eclipse?
Não. Os óculos de sol comuns, mesmo que sejam muito escuros ou tenham proteção contra radiação ultravioleta, não são seguros para observar diretamente o Sol.
Também não devem ser utilizados materiais improvisados, como:
- Radiografias;
- Películas ou negativos fotográficos;
- Vidros fumados ou escurecidos;
- CDs ou DVDs;
- Papel de alumínio;
- Embalagens metalizadas;
- Vários pares de óculos de sol sobrepostos;
- Máscaras ou vidros de soldadura sem a proteção específica recomendada para observação solar.
Estes materiais podem transmitir
uma falsa sensação de segurança, uma vez que reduzem a luminosidade visível.
Porém, isso não significa que consigam filtrar as radiações perigosas para
os olhos.
Como posso observar o eclipse solar em segurança?
Durante todas as fases parciais do eclipse, a observação direta deve ser feita exclusivamente com óculos próprios para observação solar ou com um visor solar de mão adequado.
Estes equipamentos devem cumprir os requisitos aplicáveis aos filtros para a observação direta do Sol, nomeadamente os estabelecidos na norma EN ISO 12312-2, bem como a regulamentação europeia aplicável, incluindo a marcação CE. Os óculos para eclipses são milhares de vezes mais escuros do que os óculos de sol comuns.
Deverá adquirir os óculos junto de entidades, fabricantes ou fornecedores reconhecidos e seguir as respetivas instruções de utilização.
Antes de utilizar os óculos:
- Confirme que são próprios para a observação direta do Sol;
- Verifique a identificação do fabricante ou fornecedor;
- Leia e siga as instruções de utilização;
- Certifique-se de que os filtros estão bem fixos;
- Confirme que não apresentam riscos, furos, rasgões, vincos ou outros danos;
- Não os utilize se estiverem danificados ou se a sua origem e qualidade forem desconhecidas.
Caso utilize óculos graduados,
coloque os óculos de eclipse por cima destes ou segure um visor solar à frente
das lentes.
Posso retirar os óculos de eclipse durante a fase de ocultação total?
A observação do Sol sem utilização de filtros apenas é segura durante a breve fase de totalidade, quando o disco solar está completamente coberto pela Lua.
Mesmo na zona geográfica em que o eclipse é total, os óculos só devem ser retirados quando o Sol estiver completamente ocultado e a totalidade tiver sido claramente confirmada. Devem voltar a ser colocados antes de reaparecer a primeira parte luminosa do Sol.
Em caso de dúvida, mantenha
sempre a proteção ocular.
Como limpar os óculos de observação solar?
A limpeza deve ser feita com cuidado para não danificar os filtros.
Os óculos de eclipse podem ser limpos com um pano macio, seco e não abrasivo.
Não utilize toalhitas húmidas, água, limpa-vidros, detergentes, solventes ou outros líquidos, sobretudo nos modelos de cartão. A humidade pode deformar o cartão e provocar o descolamento das lentes.
Depois da limpeza, verifique se
existem riscos, perfurações, rasgões ou zonas descoladas. Se os óculos
apresentarem algum dano, não os utilize.
Posso utilizar uma câmara, telemóvel, binóculos ou telescópio?
Não olhe para o Sol através de uma câmara, de binóculos, de um telescópio ou de qualquer outro instrumento ótico sem um filtro solar específico e corretamente instalado.
As lentes destes aparelhos concentram a radiação solar, podendo provocar lesões oculares imediatas e graves. A radiação concentrada também pode danificar a câmara, o telemóvel ou outros componentes do aparelho.
Os óculos de eclipse não devem ser usados para olhar através de binóculos, telescópios ou câmaras. A luz concentrada pelas lentes pode atravessar ou danificar o filtro dos óculos e atingir os olhos.
Nestes aparelhos, deve ser utilizado um filtro solar próprio, compatível com o equipamento e colocado na parte da frente, antes de a luz entrar pela objetiva. Os filtros colocados apenas junto da ocular não são seguros, pois podem aquecer, partir-se ou soltar-se.
A montagem e utilização devem respeitar rigorosamente as instruções do fabricante ou ser acompanhadas por um profissional com experiência em observação solar.
Para fotografar o eclipse com um
telemóvel ou uma câmara, procure aconselhamento especializado e
utilize filtros adequados ao equipamento. Nunca olhe diretamente para o Sol
enquanto enquadra a imagem.
Existem formas de observar o eclipse sem olhar diretamente para o Sol?
Sim. A observação indireta por projeção é uma alternativa segura, simples e particularmente útil para crianças ou para quem não dispõe de óculos de eclipse.
Uma forma eficaz consiste em construir um projetor de orifício, baseado no princípio da câmara escura:
- Faça um pequeno orifício numa folha de cartão opaco ou cartolina grossa;
- Coloque-se de costas para o Sol;
- Segure o cartão de forma que a luz solar atravesse o orifício;
- Projete a imagem numa folha branca, numa parede clara ou noutra superfície adequada;
- Ajuste a distância entre o cartão e a superfície de projeção até obter uma imagem nítida.
Observe apenas a imagem projetada. Nunca olhe para o Sol através do orifício.
Pode ainda entrelaçar os dedos das duas mãos, deixando pequenos espaços entre eles. De costas para o Sol, observe a sombra projetada no chão. Os espaços entre os dedos formarão várias imagens do Sol em forma de crescente.
Objetos com vários orifícios, como um escorredor, produzem o mesmo efeito. Durante as fases parciais do eclipse, os espaços entre as folhas das árvores podem igualmente projetar no chão pequenas imagens do Sol.
Outra opção segura é
acompanhar o fenómeno através de transmissões realizadas por
observatórios, universidades, centros de ciência e outras entidades
científicas.
Que cuidados devem ser tidos com as crianças?
As crianças podem ter maior dificuldade em manter os óculos corretamente colocados ou em resistir à tentação de olhar diretamente para o Sol.
Para garantir uma observação
segura:
- Explique antecipadamente os riscos de olhar para o Sol sem proteção;
- Mostre como colocar e retirar corretamente os óculos;
- Confirme que os óculos se ajustam ao rosto e não deixam passar luz pelas laterais;
- Verifique previamente se os filtros estão intactos;
- Supervisione continuamente a observação;
- Oriente a criança para desviar o olhar antes de retirar os óculos;
- Opte por métodos de projeção indireta nas crianças mais pequenas.
Nunca deixe uma criança
observar o eclipse sem a supervisão próxima de um adulto.
O que fazer se surgirem alterações da visão?
Caso tenha olhado diretamente para o Sol e note visão desfocada, manchas no campo visual, distorção das imagens, alteração das cores, sensibilidade à luz ou diminuição da visão, procure avaliação médica com brevidade.
Os sintomas podem não surgir de imediato e a ausência de dor não exclui a existência de uma lesão.
Não esfregue os olhos nem
espere que as alterações desapareçam. Um médico, preferencialmente um
oftalmologista, poderá confirmar se existe lesão da retina e avaliar a sua
extensão.
Prepare a observação com antecedência
Para aproveitar o eclipse em segurança:
- Consulte previamente os horários e a percentagem de ocultação previstos para a sua região;
- Escolha um local com uma visão desimpedida do horizonte;
- Obtenha antecipadamente óculos ou visores solares de origem reconhecida;
- Inspecione os filtros antes da utilização;
- Leia as instruções do fabricante;
- Planeie a supervisão das crianças;
- Informe as pessoas que o acompanham sobre as regras de segurança;
- Considere participar numa atividade organizada por um observatório, centro de ciência, universidade ou associação de astronomia.
Com a preparação e os cuidados corretos, será possível
desfrutar deste fenómeno de forma segura e responsável.