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Medicamentos para o tratamento da diabetes
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A diabetes mellitus é
uma doença crónica, caraterizada pelo aumento dos níveis de glicose
(açúcar) no sangue que, se não tratada, pode causar complicações graves em vários
sistemas do organismo. Para além da manutenção de um estilo de vida
saudável, através da prática de exercício físico e de uma alimentação
equilibrada, as pessoas que vivem com diabetes podem necessitar de tomar insulina
ou outros medicamentos para controlar adequadamente os seus níveis de
glicose. Os medicamentos prescritos irão depender do tipo de diabetes
que for diagnosticado.
Em que consiste o tratamento da diabetes tipo 1?
As pessoas que vivem com
diabetes tipo 1 necessitam sempre de tratamento farmacológico com injeções
subcutâneas de insulina, uma vez que existe uma incapacidade do
pâncreas em produzir esta hormona. Existem disponíveis diversos tipos de
insulina, que são utilizadas para imitar a libertação natural desta hormona
pelo organismo.
As insulinas de ação intermédia
ou lenta, classificadas de insulinas basais, são frequentemente
administradas uma ou duas vezes por dia, enquanto as de ação rápida ou curta
são administradas à hora das refeições.
Existem ainda insulinas de
"mistura” ou bifásicas, que apresentam uma mistura de insulina de ação
rápida e de ação lenta, sendo administradas previamente às refeições.
A seleção do tipo de insulina
relaciona-se com as necessidades e caraterísticas de cada indivíduo. A maioria
das pessoas necessita de duas a quatro injeções de insulina por dia. O tipo e a
quantidade de insulina que é necessária pode variar a cada dia, dependendo de
fatores como o exercício físico praticado e a alimentação.
A insulina é um medicamento
seguro e eficaz, contudo, o seu uso requer precaução, uma vez que doses
elevadas podem causar hipoglicemia (diminuição dos níveis de glicose
abaixo do normal) e doses demasiado baixas podem resultar em hiperglicemia.
Assim, as pessoas com diabetes tipo 1 deverão monitorizar os seus níveis
de glicose no sangue várias vezes ao longo do dia, de acordo com as
recomendações do seu médico. O farmacêutico também poderá ajudar na
interpretação dos resultados das medições e fornecer orientações sobre as ações
a serem tomadas com base nos resultados obtidos.
Para uma correta administração da insulina, deverão ser
tidos ainda alguns cuidados como:
- Aplicar a insulina à temperatura ambiente, uma vez que torna a injeção menos dolorosa;
- Retirar bolhas de ar que possam existir no frasco;
- Penetrar a agulha rapidamente na pele, mantendo os músculos relaxados;
- Não movimentar a agulha durante a administração;
- Não reutilizar as agulhas.
A insulina deverá estar sempre
armazenada num frigorífico antes da primeira utilização. Quando está a
ser utilizada, pode ser armazenada à temperatura ambiente. O intervalo de tempo
em que é estável à temperatura ambiente depende do próprio produto, pelo que
deverá ser feita uma leitura atenta do folheto
informativo ou consultar o farmacêutico em caso de dúvida.
Se for detetada alguma
alteração no conteúdo da insulina como, por exemplo, aglomeração, precipitação,
formação de gelo ou alterações na transparência ou cor, esta deverá ser
descartada.
Em que consiste o tratamento farmacológico da diabetes tipo 2?
No caso da diabetes tipo 2, o
tratamento farmacológico geralmente inicia-se com antidiabéticos orais,
sob a forma de comprimidos, que requerem uma ou mais tomas diárias. Existem
atualmente várias classes de fármacos disponíveis, com diferentes mecanismos de
ação.
É o medicamento normalmente prescrito como primeira linha de tratamento, quando uma pessoa é diagnosticada com diabetes tipo 2. Este fármaco, pertence à classe das biguanidas. A metformina atua através da diminuição da quantidade de glicose que o fígado liberta na corrente sanguínea, redução da absorção intestinal de glicose e aumento da sensibilidade das células do organismo à insulina. É um medicamento seguro, raramente associado a hipoglicemia (exceto se tomado em associação com sulfonilureias ou insulina), e não causa aumento de peso, tornando-o particularmente útil em indivíduos com excesso de peso.
Alguns dos efeitos secundários mais comuns são náuseas e diarreia. Por norma, são eventos ligeiros, especialmente se a metformina for tomada em conjunto com alimentos, e tendem a melhorar após algumas semanas de tratamento.
Também chamados de gliptinas, do qual fazem parte por exemplo, a sitagliptina, a linagliptina, a alogliptina, a vildagliptina e a saxagliptina, exercem o seu mecanismo de ação através do aumento dos níveis de uma substância produzida pelo intestino denominada incretina, que estimula a produção de insulina pelo pâncreas quando os níveis de glicose no sangue estão elevados.
São fármacos normalmente bem tolerados, com efeitos secundários limitados e sem efeitos no peso corporal ou no risco de hipoglicemia, se não forem utilizados em conjunto com insulina ou sulfonilureias. Alguns dos possíveis efeitos secundários incluem dores de cabeça, nasofaringite e infeções do trato respiratório superior.
São um grupo de antidiabéticos orais constituído pela gliclazida, glibenclamida, glimepirida e glipizida, que estimulam diretamente o pâncreas para libertar insulina. Todavia, esta classe de fármacos apresenta alguns efeitos adversos que deverão ser tidos em consideração, como hipoglicemia, que pode manifestar-se por fraqueza, confusão mental e visão turva, perturbações gastrointestinais e aumento de peso corporal. O risco de hipoglicemia poderá ser mais elevado quando o utente está em jejum, omita refeições ou durante a prática de exercício físico.
Onde se incluem a repaglinida e a nateglinida são fármacos secretagogos de insulina, apresentando um mecanismo de ação semelhante às sulfonilureias. Como tal, podem também causar hipoglicemia e aumento de peso. Atualmente, não existem medicamentos deste grupo comercializados em Portugal.
É um fármaco pertencente à classe dos inibidores da alfa-glicosidase, que promove o atraso da absorção de hidratos de carbono pelo intestino, permitindo assim reduzir os picos de glicemia que podem ocorrer após as refeições. Este medicamento deve ser evitado em pessoas com doença inflamatória intestinal, ulceração do cólon, obstrução intestinal parcial ou em doentes com predisposição para obstrução intestinal.
É uma tiazolidinediona, cuja ação resulta no aumento da sensibilidade das células do corpo à insulina, ajudando o organismo a transportar a glicose para o seu interior. Geralmente, este medicamento não é tomado isoladamente, constituindo um complemento à terapêutica com outros antidiabéticos orais. Este fármaco deverá ser evitado em indivíduos com insuficiência cardíaca, história de fraturas ou risco elevado de fratura.
Como, a dapaglifozina, a empagliflozina, a canagliflozina e a ertugliflozina, atuam aumentando a quantidade de glicose que é excretada pela urina, reduzindo assim os níveis de glicose no sangue. Esta classe de medicamentos, além de ter revolucionado a terapêutica da diabetes tipo 2, tem sido ainda associada a outros efeitos benéficos para o organismo, como a perda de peso, redução da pressão arterial, e diminuição do risco de doença cardiovascular, estando, inclusive, a dapaglifozina e empagliflozina também aprovadas para o tratamento da insuficiência cardíaca crónica sintomática.
Alguns dos efeitos secundários desta classe são hipotensão e risco acrescido de infeções urinárias.
Todavia, apesar dos vários tipos de antidiabéticos orais disponíveis, algumas pessoas com diabetes tipo 2 podem também vir a necessitar de injeções de insulina, caso não consigam obter um controlo eficaz da glicemia. Recentemente, têm surgido outros medicamentos injetáveis, que têm demonstrado uma elevada eficácia na redução dos níveis de açúcar no sangue e na perda de peso.
Quais são os novos medicamentos para o tratamento da diabetes tipo 2?
Os agonistas do recetor do péptideo-1 semelhante ao glucagon – semaglutido, dulaglutido, liraglutido, exenatido, lixisenatido e tirzepatida (dois últimos não comercializados em Portugal) representam uma das opções mais recentes para o tratamento da diabetes tipo 2. São medicamentos administrados por injeção subcutânea, que aumentam a libertação de insulina em resposta a uma refeição e retardam a digestão. O medicamento semaglutido também dispõe de uma apresentação em comprimidos, contudo, esta não se encontra comercializada no nosso país. São fármacos úteis em indivíduos que não conseguem controlar os níveis de glicemia com a dose mais alta de um ou dois antidiabéticos orais, ou de insulina, sendo utilizados em combinação com estas terapêuticas. Também têm mostrado ser particularmente vantajosos em pessoas obesas, uma vez que promovem a perda de apetite e a sensação de saciedade após ingestão de pequenas quantidades de alimentos, promovendo a perda de peso.
São também uma classe de fármacos recomendada em indivíduos que tenham ou que apresentem um elevado risco para doenças cardiovasculares, uma vez que têm demonstrado benefícios nestes grupos de doentes.
Os efeitos secundários mais
frequentes associados ao seu uso incluem náuseas, vómitos e diarreia. Deverão
ser evitados em pessoas com história de pancreatite ou com gastroparesia
(atraso no esvaziamento gástrico).
