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Compreendi
Covid-19 | Comunicação da Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos
Caros Colegas,

Nesta hora grave que atravessamos e que temos exemplarmente enfrentado, respeitando com coragem e de forma escrupulosa as orientações da autoridade de saúde e do Governo, dirijo-me a todos os farmacêuticos, e em especial aos que, em irrepreensível serviço público e estado de prontidão, mantêm as suas farmácias abertas e atendem aqueles que a qualquer hora precisam de medicamentos e outros produtos de saúde, para que seja ainda mais elevado o sentido de responsabilidade de cada um de nós e de todos os que compõem o universo da nossa profissão.

O país está em sofrimento, recolhido, aguardando estoicamente que passe a "tempestade", pelo que este é o momento de sermos mais solidários, mais disponíveis, mais facilitadores de soluções e, portanto, mais generosos. Esta atitude positiva não nos deve tolher os movimentos, não nos deve apagar em passividade, privando-nos de prestar conselho ou de, quando necessário, apontar um erro, uma má prática, de modo a que os erros e as más práticas sejam contidos, mitigados o mais que for possível.

A "tempestade" passará, mais cedo ou mais tarde, e queremos ser agentes da bonança. Dizemos que há luzes que não se apagam. É certo. Entre elas estão as nossas portas abertas 24 horas por dia (mesmo que transitoriamente convertidas em postigos), os conselhos sábios e serenos que sabemos dar aos doentes, o bom senso que praticamos à luz da nossa formação científica. Temos de reafirmar, agora mais do que nunca, que somos uma profissão altamente diferenciada, com padrões éticos que não se podem congelar, que não são passíveis de ir para intervalo. A nossa razão de ser como farmacêuticos está justamente na circunstância de afirmarmos o nosso conhecimento e a nossa atitude recetiva, não cedendo a facilitismos ou a interesses mesquinhos. É isso que nos conserva úteis à sociedade, numa insubstituibilidade que pretendemos inquestionável.

O meu apelo - entendam-no como veemente - vai no sentido de que se evitem a todo o custo práticas comerciais agressivas de terceiros, a preços especulativos ou que resultam de aquisições pouco refletidas e, portanto, a não repetir. Dito de outro modo, a Ordem está totalmente consciente de que os farmacêuticos, no seu altruísmo de servir a população, estão a ser estimulados por agentes comerciais com preços pouco escrupulosos ou mesmo especulativos, que devem ser frontalmente rejeitados e prontamente denunciados. Caso contrário seremos nós, farmacêuticos, a dar a cara por práticas inadequadas e que não podem nem nos devem ser imputadas.

Por denotarem um interesse que vai além do simples e útil esclarecimento, estas práticas ou estratégias, ainda que raras, são condenáveis por natureza, mas mais ainda quando realizadas num tempo de recato e contenção. Estas estratégias, ainda que muito minoritárias - repito -, mancham de forma persistente a profissão e abalam a boa imagem das farmácias do nosso País.

O meu apelo, nesta hora de emergência, vai também no sentido de que se ouça o conselho daqueles que estudam e estão seriamente apostados em esclarecer a população, combatendo a mentira e o preconceito - como aconteceu na conferência que a Ordem transmitiu no dia 20 de março e que fica disponível nas nossas plataformas para ser vista e revista. 

Caros Colegas, é neste papel de parceiros ativos da Saúde, ao lado dos hospitais, dos centros de saúde, dos laboratórios, da universidade, que queremos continuar a fazer parte da história de um povo que, como está nos seus genes, não quebra, não desiste, e que, uma vez mais, pode ser exemplo para o Mundo.   

Lisboa, 27 de março de 2020.

Ana Paula Martins
Bastonária da Ordem dos Farmacêuticos