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Bastonária explicou preocupações dos farmacêuticos durante a pandemia
22 Janeiro 2021
A Comissão Eventual promoveu audições aos bastonários das Ordens dos Médicos, Enfermeiros, Farmacêuticos e Psicólogos, para registar as preocupações dos representantes dos profissionais de saúde sobre a evolução e combate à pandemia de COVID-19.
A bastonária da OF, Ana Paula Martins, começou por manifestar, na sua intervenção inicial, o apoio às medidas propostas pela Ordem dos Médicos (OM) e por vários peritos na área da Saúde Pública para conter a transmissão a doença na atual fase pandémica.
Referiu-se em especial aos profissionais de saúde e à "enorme necessidade de ter uma política para as profissões no âmbito do do SNS”, que considera mais evidente durante a pandemia que o País enfrenta. "Na área farmacêutica precisamos entre 200 a 250 farmacêuticos nos hospitais”, advogou a bastonária, lembrando a diferenciação e importância das suas funções e responsabilidades, mediatizadas nas últimas semanas na preparação, manipulação e reconstituição da vacina contra a COVID-19. Estes profissionais de saúde têm agora uma carreira especial no SNS, desde 2017, mas não têm ainda plenamente concretizada a Residência Farmacêutica, que permite o ingresso de novos farmacêuticos, a sua especialização e a renovação geracional.
"A pandemia é um momento excecional, mas é evidente que não estávamos suficientemente preparados para a resposta que tínhamos de dar. Também não estamos preparados para fazer a articulação necessária com setor privado e social, concretamente na área dos cuidados continuados, nos lares, onde a pandemia pôs a nu as enormes dificuldades. É alo que nos tem de preocupar, como cidadãos. É algo que tem de preocupar os nossos agentes políticos”, defendeu.
Ana Paula Martins forneceu exemplos de projetos farmacêuticos desenvolvidos ao longo dos últimos meses, como resposta aos desafios colocados pela pandemia. A "Operação Luz Verde” permitiu a entrega de medicamentos hospitalares em regime de maior proximidade, ao domicílio ou nas farmácias comunitárias escolhidas pelos utentes. A bastonária lembrou alguns indicadores sobre esta iniciativa impulsionada pela OF e OM – 22 hospitais envolvidos, 2.754 farmácias e 274 autarquias. O projeto poupou 112 kms por mês a cada doente, gerou uma poupança de 185 milhões de euros para o erário público e para os utentes e um grau de satisfação de 94%.
Neste contexto, a bastonária lamentou que o relatório produzido pelo Grupo de Trabalho constituído pelo Ministério da Saúde não se tenha debruçado sobre estes indicadores, tal como não o fez em relação ao projeto TARV II, o que, em sua opinião, torna impossível fundamentar as decisões do Executivo sobre o tema.
Para a bastonária, a rede de farmácias e farmacêuticos comunitários distribuídos pelo País deve ser mais aproveitada, dando ainda como exemplo o trabalho em curso com a OM para protocolar a renovação da terapêutica a doentes crónicos por farmacêuticos comunitários, tal como aconteceu durante o primeiro período de confinamento, em março e abril, em que as farmácias suportaram cerca de 60 milhões de euros em créditos relacionados com a comparticipação da medicação dispensada a estes doentes.
No âmbito da vacinação contra COVID-19, Ana Paula Martins revelou que a OF vai iniciar o recenseamento para vacinação dos farmacêuticos que trabalham no setor privado. O processo vai decorrer em articulação com a task force nomeada pelo Governo, mas não existe ainda uma data concreta para vacinação destes profissionais, adiantou a bastonária, revelando ainda que muitos farmacêuticos que trabalham nos hospitais não sabem quando vão ser vacinados, ao contrário de outros profissionais que "não estão na linha da frente ou que estão em teletrabalho”, denunciou a bastonária.
Ana Paula Martins defendeu a inclusão de todos os cidadãos com mais de 80 anos nos grupos prioritários para vacinação contra a COVID-19, em sintonia com objetivo traçado pela Comissão Europeia de vacinar 80% dos cidadãos acima dos 80 anos até ao mês de março.
Sobre o envolvimento das farmácias na campanha de vacinação, a bastonária reiterou a disponibilidade dos profissionais que representa, "se o Ministério da Saúde tomar essa decisão, em complementaridade, não se substituindo, de maneira nenhuma, aos enfermeiros e aos médicos”.
"Vacinar oito milhões de portugueses é, no tempo que temos para atingir a imunidade de grupo, uma tarefa muito exigente e que vai precisar de todos. Até diria que vai precisar de centros de vacinação. Todos os esforços que pudermos juntar serão importantes e é neste contexto que as farmácias aparecem", afirmou Ana Paula Martins.
Em sua opinião, as farmácias têm capacidade para administração de cerca de 1 milhão de doses num espaço temporal semelhante ao período de vacinação contra a gripe. Este ano, as farmácias vacinaram 600 mil portugueses, em 268 concelhos, revelou, manifestando absoluta discordância sobre as responsabilidades imputadas às farmácias pelos insucessos da vacinação contra a gripe, justificados com o aumento das encomendas do SNS e consequente escassez nas farmácias e uma campanha de comunicação que incentivou a procura para uma oferta inexistente.
A comunicação foi outro aspeto sublinhado pela bastonária no âmbito do Plano de Vacinação contra a COVID-19, reforçando a importância das expectativas que se criam nos cidadãos sobre a disponibilidade e celeridade no processo.
A representante dos farmacêuticos abordou ainda falhas na monitorização das vacinas que vão sendo administradas, sublinhando que as reações adversas não ocorrem em função do profissional que as administra. Os farmacêuticos têm uma formação de base ao longo de vários anos na manipulação de vacinas. Têm também uma competência reconhecida pela OF para administração de vacinas que têm de ser renovada periodicamente, assegurou.
Clique para rever a audição da Bastonária da OF na Comissão Eventual Parlamentar.