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Deputados e autarcas visitaram laboratório clínico do interior

16 Maio 2018
Deputados e autarcas visitaram laboratório clínico do interior
A Ordem dos Farmacêuticos (OF) convidou deputados de todos os grupos parlamentares, autarcas e administradores hospitalares a visitar o Laboratório de Análises Clínicas Fernanda Galo, em Tomar, um dos bons exemplos espalhados pelo país de um laboratório privado, convencionado com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que presta um serviço de qualidade e proximidade que é valorizado pelas populações locais.

A visita decorreu no dia 15 de maio e teve como objetivo primordial partilhar com decisores e responsáveis políticos o relevante papel que estas unidades de saúde assumem no acesso dos portugueses aos meios complementares de diagnóstico e terapêutica, em especial nas regiões do interior.

A bastonária e o presidente do Conselho do Colégio de Especialidade de Análises Clínicas explicaram que o modelo de complementaridade entre o setor público, privado e social tem vindo a garantir a cobertura e proximidade na prestação de cuidados de saúde no nosso país. No setor das análises, os pequenos e médios laboratórios fora dos grandes centros urbanos efetuaram avultados investimentos em equipamentos e na qualificação dos seus recursos humanos, lutando contra a desertificação e assegurando a homogeneidade territorial no acesso aos serviços de saúde.

Na atual conjuntura, estas unidades enfrentam dificuldades acrescidas por decisões das autoridades de saúde e de administrações hospitalares, que obrigam os utentes do SNS a realizar as suas análises nas unidades públicas, colocando em causa o regime de convenções a que estas unidades voluntariamente aderiram.

A Ordem tem vindo a defender que o país deve aproveitar a capacidade instalada nos hospitais e laboratórios públicos, promovendo uma gestão cada vez mais eficiente dos recursos e prestando um serviço de qualidade aos doentes da sua área influência. Não pode, contudo, apoiar decisões administrativas desprovidas de evidência, que colocam em causa a sustentabilidade e viabilidade económica de operadores que têm um papel social importantíssimo em determinadas zonas do país.

Por outro lado, a OF não entende também porque motivo se obrigam doentes a uma deslocação, por vezes de algumas dezenas de quilómetros, até a um hospital central para realização das suas análises de rotina, com todas as dificuldades associadas ao transporte, tempo de espera e conforto dos utentes.

O Laboratório de Análises Clínicas Fernanda Galo é um de vários exemplos de laboratórios de proximidade visitados pela bastonária no âmbito dos Roteiros Farmacêuticos. O mesmo cenário e os mesmos problemas foram encontrados em unidades semelhantes situadas Évora, Beja, Lamego, Ponte de Lima, Chaves, apenas para citar outros exemplos.

Durante a vista a esta unidade, os dirigentes da OF procuraram sensibilizar para a dura realidade que estes agentes enfrentam, tendo recordado também o acordo de sustentabilidade assinado entre o Ministério a Saúde e operadores do setor, que define um teto de 170 milhões de euros para a despesa com MCDT, e que, em 2017, significou a realização de cerca de 46 milhões de exames no setor privado.

Por outro lado, foi também realçado que as análises clínicas representam perto de 40 por cento da despesa dos Estado com as convenções, sendo responsáveis mais de 70 por cento das decisões tomadas pelos médicos.

A OF está a desenvolver um estudo para avaliar as implicações da internalização das análises clínicas nos hospitais e laboratórios do SNS. O trabalho realizado por uma entidade independente, abarca a qualidade e satisfação com o serviço, a sua eficiência e capacidade de resposta e o impacto económico a nível nacional e regional, seja na perspetiva da criação de emprego ou da descentralização e proximidade de serviços.

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