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36ª Reunião Anual do Colégio de Indústria

09 Abril 2018

Mais de uma centena de farmacêuticos que trabalham nas mais diversas áreas e departamentos da Indústria Farmacêutica estiveram reunidos em Lamego para participar na 36ª edição da Reunião Anual do Colégio de Indústria (RACI). O encontro proporcionou importantes momentos para atualização técnica e científica, partilha de contactos e experiências e convívio entre profissionais de um setor estratégico para a economia nacional e decisivo para o aumento da qualidade e esperança média de vida dos cidadãos. 

A edição de 2018 da RACI teve como pano de fundo as margens do rio Douro e a ponte pedonal que separa as cidades de Lamego e Peso da Régua. Logo na abertura do evento, o presidente do Conselho do Colégio de Especialidade da Indústria Farmacêutica da Ordem dos Farmacêuticos (CCEIF-OF), Nuno Moreira, e a bastonária da OF, Ana Paula Martins, destacaram a beleza natural envolvente, que serviu de inspiração para os três dias de trabalhos da reunião.

Nuno Moreira destacou também a elevada participação de jovens farmacêuticos nesta edição da RACI e lembrou os temas que iriam estar em discussão, dando particular ênfase ao debate sobre a implementação da Diretiva Europeia sobre Medicamentos Falsificados.

Recordou também a atividade desenvolvida pelo Conselho do Colégio de Especialidade ao longo do último ano, em especial a conclusão do processo de revisão das Normas para Atribuição do Título de Especialista, mas também a realização da iRACI, uma variante da Reunião Anual do Colégio com uma componente eminentemente prática, e que este ano se prevê repetir em outubro.

A bastonária da OF acompanhou os três dias de trabalhos desta edição da RACI, participando na Sessão de Abertura e em diferentes momentos de debate que sucederam os painéis previstos no programa.

Ana Paula Martins realçou a qualificação e as competências deste grupo profissional de farmacêuticos, mas também o seu valor social e para economia nacional. A bastonária recordou que a génese da Indústria Farmacêutica em Portugal está intimamente ligada aos farmacêuticos, ao trabalho de oficina e de manipulação que era realizado nas farmácias, numa era pré-industrialização.

Atualmente, enfatizou a bastonária, os farmacêuticos são a profissão mais jovem na área da Saúde e o ramo da Indústria Farmacêutica um dos mais apetecíveis junto dos recém-diplomados.

Ana Paula Martins referiu-se também aos trabalhos em curso no âmbito da Plataforma Ensino-Profissão, que visa aproximar o ensino das Ciências Farmacêuticas da prática profissional e das necessidades da sociedade atual, e à discussão da Lei de Bases da Saúde, um debate que a OF se encontra a promover internamente e para o qual conta também com os importantes contributos dos farmacêuticos de Indústria.

PRÉMIO PARA TRABALHO SOBRE CONTAMINAÇÃO CRUZADA

A Comissão Científica da RACI 2018 distinguiu o melhor poster técnico-científico apresentado durante o evento. O prémio, no valor de 500 euros, foi atribuído ao trabalho desenvolvido por Fátima Carvalho e Tânia Rito, do Laboratório de Estudos Farmacêuticos (LEF), intitulado "Cleaning Validation in Multipurpose Facilities - Implementation of a health-based MACO calculation method”.

As autoras estudaram o método para determinar o nível máximo aceitável de contaminação cruzada em instalações onde são produzidos diferentes medicamentos, sugerindo uma revisão de todo o processo de validação de limpeza, para incluir as últimas orientações da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e assim garantir a conformidade com a regulamentação atual.


A RACI 2018 contou também com a participação de um número alargado de stands, alguns dos quais internacionais, tendo a organização decidido presentear os participantes que visitaram estes expositores, como forma de promover o contacto com os seus responsáveis e com os produtos e serviços que apresentaram durante o evento.

O programa da reunião contemplou apresentações e discussões sobre matérias eminentemente técnicas, desde projetos de construção de unidades de saúde e de produção de medicamentos, requisitos de isolamento, de limpeza ou material de proteção de uso único e descartável.

Num dos primeiros painéis de debate, António Azevedo, da Unidade de Inspeção do Infarmed, relatou os resultados de auditorias e inspeções realizadas pela autoridade reguladora sobre a contaminação cruzada em medicamentos e produtos de saúde fabricados em unidades onde são produzidos lotes de diferentes medicamentos.

O tema foi mais tarde retomado por Inês Gavinhos, da OM Pharma, que se debruçou sobre a nova guideline HBEL - Health Based Exposure Limits, e sobre o seu impacto na política de validação de limpeza numa Indústria com instalações multiuso.

Da OM Pharma veio também a responsável de Ambiente e Segurança, Paula Martins, para falar sobre a emissão de gases com efeitos de estufa pela Indústria Farmacêutica e na produção de um medicamento em concreto. Esta especialista apresentou a evolução da pegada de carbono na OM Pharma entre 2015 e 2017, referindo a influência das origens do fornecimento da energia elétrica e o peso das energias renováveis. Para esta oscilação contribui também o tipo de transporte e o número de viagens realizadas para receção de matérias-primas e expedição do produto acabado. Para equilibrar esta balança, a companhia promoveu no ano passado uma atividade de plantação de árvores, conseguindo resgatar 79 toneladas de CO2.

Numa outra vertente, as farmacêuticas Ana Teresa Reis e Bruna Bernardo, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, apresentaram os resultados de um estudo sobre medicamentos retirados do mercado português entre 2000 e 2015. As autoras analisaram os 338 alertas emitidos pelo Infarmed durante este período. Entre estes, 294 dizem respeito a recolhas voluntárias do detentor da autorização de introdução no mercado, a maioria dos quais relacionadas com a dosagem da forma farmacêutica, seguido de problemas de acondicionamento. Para estas especialistas, a evidência produzida por este trabalho revela um esforço e atenção redobrada por parte da Indústria Farmacêutica e das autoridades reguladoras com a qualidade dos produtos que são colocados no mercado.

No final doo segundo dia de trabalhos, houve também lugar para um debate sobre as principais competências que um profissional de excelência deve desenvolver independentemente da área onde atua. De entre as principais competências identificadas, destaca-se a competência de problem solving, dada a velocidade e complexidade dos processos e contextos profissionais atuais.

A RACI 2018 terminou com a realização de uma Mesa Redonda dedicada à serialização e à implementação da Diretiva Europeia dos Medicamentos Falsificados, numa sessão que contou com as participações de representantes das associações de distribuidores ligados ao setor farmacêutico: Adifa e Groquifar, e da MVO Portugal - Associação Portuguesa de Verificação de Medicamentos.

O Regulamento Delegado (UE) 2016/161, de 2 de outubro de 2015, que define regras pormenorizadas para os dispositivos de segurança que devem figurar nas embalagens de medicamentos, deve ser implementado até fevereiro do próximo ano, o que constitui atualmente um dos maiores desafios para a Indústria Farmacêutica e restantes operadores do circuito do medicamento.

COLÉGIO DISTINGUIU ESPECIALISTAS

Cumprindo a tradição, o Conselho do Colégio de Especialidade de Indústria Farmacêutica (CCEIF) homenageou os farmacêuticos especialistas em Indústria Farmacêutica que cumprem este ano 10 e 25 anos de especialidade.

Pin de Ouro (25 anos especialidade):

Maria Teresa Cosme da Cruz
Paula Alexandra Garrido da Fonseca
Paulo Alexandre de Araújo Loureiro Amaral
Paulo Manuel Candeias Farinha Roberto

Pin de Prata (10 anos especialidade):

Lígia Paula Fontes Teixeira dos Santos Póvoa
Maria Teresa Malta Teixeira Santos
Rui Manuel Lopes Martinho
Sónia Maria Salta Rei

Durante estes três dias de trabalhos da RACI, houve também oportunidade para participação em alguns momentos culturais e de convívio, tendo sido organizada uma viagem de comboio entre a Régua e o Pinhão, além de uma visita à Quinta da Pacheca, com prova de vinhos e animação associadas.

A RACI 2018 fez jus, uma vez mais, à sua reputação de maior e mais importante evento dirigido aos profissionais da Indústria Farmacêutica nacional. O CCEIF-OF procurará continuar a impulsionar a organização de um evento de referência para os farmacêuticos de Indústria, que conjugue a atualização de conhecimentos com o espírito de convívio e confraternização entre colegas de profissão.

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