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ENSP estuda Covid-19 nos profissionais de saúde

20 Abril 2020
A Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa (ENSP-UNL) iniciou um projeto de investigação denominado Barómetro Covid-19, para acompanhar diferentes perspetivas sobre o desenvolvimento da pandemia em Portugal e no Mundo. Focado nos profissionais de saúde, o subgrupo dedicado à Saúde Ocupacional lançou um questionário para reunir informação pertinente sobre a atuação dos Serviços de Saúde Ocupacional.
Os farmacêuticos estão também convidados a participar neste trabalho de investigação da ENSP, através do preenchimento do seguinte formulário.

O objetivo "é criar conhecimento científico que possa ser útil para os Serviços de Saúde Ocupacional, para as Unidades de Saúde e para os decisores em políticas públicas de saúde, tendo em vista a proteção dos profissionais de saúde”, explicam os responsáveis pelo Departamento de Saúde Ocupacional e Ambiental da ENSP-UNL.

O último estudo do Barómetro Covid-19 mostra que mais de 60% dos casos suspeitos em profissionais de saúde não foram submetidos a vigilância ativa e apenas 1/4 realizou o teste nas primeiras 24 horas. Com um elevado número de profissionais a revelar níveis elevados de ansiedade e pressão elevada, quase 40% reporta ausência de apoio dos Serviços de Saúde Ocupacional.

O questionário dirigido a profissionais de saúde recolheu, entre os dias 2 e 10 de abril, 4.212 respostas e 4.126 médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes operacionais, farmacêuticos, nutricionistas, psicólogos e os profissionais das carreiras laboratoriais quiseram responder. 

Destes, 36,7% trabalham em áreas dedicadas ao tratamento de doentes ou suspeitos COVID-19, nomeadamente em Cuidados Primários (39,1%), Urgências (31,8%), Enfermarias (21,7%), em Unidades de Cuidados Intensivos (12,6%) e em outros locais (19,5%).

O questionário encontrou 13,6% de casos suspeitos, com destaque para os enfermeiros (35,1%) e os médicos (18,9%). No entanto, apenas 38,6% foram submetidos a vigilância ativa por parte das entidades responsáveis, os Serviços de Saúde Ocupacional e/ou as Autoridades de Saúde, destacando-se que, entre os que trabalham em área de doentes COVID-19, somente 40% foram vigiados de forma ativa.

Do total de respondentes 34,1% não realizou a automonitorização diária dos sintomas, medida que consta, desde o dia 21 de março, das orientações da Direção-Geral de Saúde. Assinala-se que no grupo profissional dos Assistentes Operacionais essa percentagem atinge 46,7%, sendo também a 15% de casos suspeitos.

Dos testados (73,3%) apenas 1/4 realizou o teste nas primeiras 24 horas, tendo quase 30% realizado o teste mais de 72 horas após a suspeição, inclusivamente alguns trabalhando em área dedicada a doentes (ou suspeitos) COVID-19. Foram positivos 64 profissionais de saúde.
Relativamente às condições de trabalho, destaca-se a ausência de apoio dos Serviços de Saúde Ocupacional em mais de um terço dos respondentes (38,4%), o que, segundo Florentino Serranheira, "é revelador das fragilidades organizacionais em Saúde Ocupacional, ou mesmo a sua inexistência”.
A disponibilidade de equipamentos de proteção individual – máscaras, viseiras, luvas, etc., é classificada como moderada para cerca de metade dos profissionais (47,7%) e como insuficiente em cerca de um terço (30,5%). Quando analisadas as respostas dos profissionais que se encontram em áreas COVID-19, quase metade dos profissionais, considera a disponibilidade destes equipamentos mais adequada, sendo considerada insuficiente em apenas 24,7%.

A presença de fadiga é referida como moderada a elevada por 76,7% dos profissionais que, apesar do elevado nível de pressão em que se encontram (65,1%), ainda se sentem em condições para tomar decisões rápidas no contexto da prestação de cuidados (87%) e afirmam poder contar com um bom suporte dos colegas (84,6%).

No entanto, apenas 2,2% dos respondentes apresentam níveis de ansiedade normais, com mais de dois terços dos inquiridos (68,8%) a apresentar ansiedade acima dos considerados normais. São os médicos o grupo de profissionais de saúde com maiores níveis de ansiedade, ainda que essa diferença não seja significativa. Em áreas dedicadas a doentes ou suspeitos Covid-19 os mais elevados valores de ansiedade são reportados em áreas de Cuidados Primários (35,4%) seguidos pelos que trabalham em Urgências Hospitalares (18%).