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Falta de medicamentos agrava-se na Europa

30 Janeiro 2020
O Grupo Farmacêutico da União Europeia (PGEU) está a acompanhar o fenómeno de escassez de medicamentos em vários países europeus.

Os resultados do inquérito realizado a 24 associações membro, representando outros tantos países europeus, revelam que todos os países tiveram episódios de falta de medicamentos nas farmácias comunitárias ao longo do último, com a agravante da grande maioria das respostas (87%) apontarem para um agravamento da situação em relação ao ano de 2018.

De acordo com o inquérito realizado entre os dias 4 de novembro e 16 de dezembro, todos os países tiveram episódios de falta de medicamentos nas farmácias comunitárias ao longo do último, com a agravante da grande maioria das respostas (87%) apontaram para um agravamento da situação em relação ao ano de 2018.

O problema afeta todas as classes de medicamentos, estando listados mais de 200 medicamentos escassos na maioria dos países

As respostas revelam ainda uma perceção de que o fenómeno provoca angústia e inconveniência nos utentes, que se vêm obrigados a interromper tratamentos (75%), a procurar alternativas mais caras ou não comparticipadas (58%) ou recorrer a terapêuticas com eficácia inferior (42%).

Por outro lado, o fenómeno tem também impacto na atividade das farmácias, pela redução da confiança dos utentes (92%), pelo tempo investido na pesquisa de alternativas e mitigação das faltas (82%) e também pela insatisfação dos colaboradores (79%).

Os farmacêuticos procuram resolver muitas destas situações propondo a substituição do medicamento prescrito por uma alternativa genérica (79%), procurando fontes alternativas, entre as quais outras farmácias (63%) ou importando o medicamento de um país em que esteja disponível (46%).

Os farmacêuticos comunitários europeus têm também vindo a despender cada vez mais tempo a tentar resolver estes problemas relacionados com a escassez de medicamentos. Se em 2018 rondava as 5,6 horas por semana, no ano passado aumentou para 6,6 horas semanais.

Estes profissionais de saúde lamentam que não exista ainda um sistema de notificação de ruturas, mesmo sendo frequentemente os primeiros a experimentar ou a prever dificuldades de abastecimento. De acordo com os resultados do inquérito, os farmacêuticos recebem notificações de falta de medicamentos através dos distribuidores (71%), agências de medicamentos (67%) e outras organizações farmacêuticas (42%).

Em comunicado, o presidente do PGEU, Duarte Santos, destaca a "alta incidência”, o "aumento contínuo do número de medicamentos em rutura na maioria dos países europeus” e o seu "impacto diário e oneroso nos utentes e na atividade das farmácias”.

Os resultados do inquérito apontam também para "lacunas na informação necessária, nas ferramentas e nas opções legais disponíveis para os farmacêuticos comunitários apresentarem aos seus utentes”, revela o farmacêutico português

"É altamente recomendável que os decisores políticos e demais parceiros e agentes tomem consciência deste problema e atuem em conformidade, porque a situação não mais aceitável e suportável quer para os utentes quer para os profissionais de saúde”, alerta o presidente do PGEU.

Clique aqui para consultar os resultados do inquérito realizado pelo PGEU.