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Ordem promoveu debate sobre cuidados farmacêuticos nas Administrações Regionais de Saúde (ARS)

19 Setembro 2018
Ordem promoveu debate sobre cuidados farmacêuticos nas Administrações Regionais de Saúde (ARS)
A Ordem dos Farmacêuticos (OF) promoveu ontem, dia 18 de setembro, no Centro Cultural de Belém, um debate sobre a intervenção dos farmacêuticos em cuidados primários/continuados, a exercer funções nas ARSs. O evento pretendia promover a reflexão sobre o modelo organizacional português, dando a conhecer exemplos inovadores atualmente em vigor no Reino Unido e Espanha.
 
A sessão contou com vários representantes de instituições envolvidas no planeamento, desenvolvimento e reforma dos cuidados de saúde em Portugal.

A discussão iniciou-se com a intervenção de dois farmacêuticos estrangeiros, Ziad Suleiman (Reino Unido) e María Mercedes Gárcia (Espanha), sobre dois modelos de intervenção farmacêutica em Cuidados Primários que estão a ser implementados nestes países.

Ambos os modelos promoviam um maior envolvimento do farmacêutico nas actividades clínicas e partilha de informação entre profissionais de saúde. O elemento comum dos dois modelos é a forte integração do farmacêutico na equipa de saúde dos cuidados primários e a interface com o doente, bem como com os colegas das farmácias comunitárias e dos hospitais, facto que parece contribuir para a verdadeira integração de cuidados, envolvendo os diferentes players e níveis de cuidados. As particularidades do modelo inglês passam pela aquisição de competências de prescrição dos farmacêuticos em determinadas áreas que são reconhecidas, conferindo-lhes um grau de autonomia diferente, em articulação com o médico e restante equipa. Já no modelo Espanhol, o farmacêutico intervém sempre que identifica situações de mau uso do medicamento, sugerindo ajustes terapêuticos que emitem alertas aos médicos, os quais permanecem pendentes no sistema até sua aceitação ou justificação de eventual recusa. Em qualquer dos casos, existem também consultas farmacêuticas junto dos cidadãos com o objectivo de maximizar o uso responsável do medicamento. 

Um painel representante da ARS Centro apresentou vários exemplos das actividades farmacêuticas já desenvolvidas nessa região, após o qual Nadine Ribeiro, da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, apresentou a "Visão para os conteúdos funcionais dos serviços farmacêuticos nas ARS” procurando enquadrar a intervenção farmacêutica atual e abrir possibilidades futuras a desenvolver em Portugal.

Aproximando-se do final do evento, Henrique Botelho, Coordenador da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários, congratulou a OF pela oportunidade do tema, num dia em que havia sido assinado um acordo para a inclusão de médicos dentistas nos CSP, sendo clara igualmente a mais-valia do farmacêutico sobretudo na gestão da terapêutica e como guardião da segurança da utilização dos medicamentos. Carla Pereira, em representação do Coordenador da Reforma dos Cuidados Continuados reiterou a importância crescente do diálogo e colaboração entre profissionais de saúde, extensível igualmente aos cuidados continuados, referindo como exemplo de boas práticas o trabalho em curso com a OF para criar indicadores de monitorização de doentes complexos, multimórbidos e polimedicados. 

Na sessão de encerramento, Fernando Araújo, Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, referiu a necessidade de tornar a "unidade familiar num conceito mais lato, abrangendo outros profissionais”, mencionando a eventualidade da criação de "farmacêuticos de família”. O representante informou que este modelo de maior integração e proximidade requer uma análise mais detalhada, mas afirmou abertura do Ministério da Saúde para o desenvolvimento de um projeto-piloto para a demonstração de resultados da integração nas equipas de "farmacêuticos de família”.
Remetendo-se aos participantes, Fernando Araújo terminou a sessão de debate com um pedido de colaboração e apoio para "abrir uma nova porta” para os CSP.