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Os indicadores de saúde dos países da OCDE

07 Novembro 2019
Os indicadores de saúde dos países da OCDE
O novo relatório “Health at a Glance”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), compara 80 indicadores de saúde e de desempenho dos sistemas de saúde dos países membro, entre os quais Portugal, onde o crescimento da despesa em saúde tem sido inferior a 1% ao ano. As projeções da OCDE apontam para um crescimento de 2% ao ano até 2030, atingindo assim os 9,1% do Produto Interno Bruto, ainda assim abaixo da média dos países da OCDE. Na análise ao setor farmacêutico, Portugal foi um dos países onde se verificou maior crescimento da força de trabalho farmacêutico desde o ano 2000.

A edição de 2019 do relatório elaborado todos os anos pela OCDE volta a colocar o nosso país entre os Estados em que os gastos diretos das famílias com a saúde mais cresceram. Entre 2009 e 2017, os encargos dos portugueses representavam 28% do total da despesa em saúde. Em contrapartida, o Estado assume 65% da despesa nacional com saúde, sendo 5% suportados por outros subsistemas e seguros de saúde privados.

Neste âmbito, o relatório revela um aumento generalizado do número de portugueses com seguros de saúde privados no período em análise, cerca de 27% da população, numa realidade transversal a 18 dos 27 países da OCDE.

O trabalho da OCDE analisa também a força de trabalho na área da saúde nos diferentes países membros. No caso de médicos e farmacêuticos, Portuga situa-se acima da média da OCDE, com um ratio de 5 médicos por mil habitantes, sendo um dos países com maior aumento desde o início do século. No caso dos enfermeiros, o número de 6,7 por mil habitantes coloca o país um pouco abaixo da médica da OCDE, de 8,8 por mil habitantes.

No que se refere aos farmacêuticos, registou-se um crescimento médio destes profissionais na ordem dos 30% em todos os países da OCDE. Portugal está acima da média, com um ratio de 91 farmacêuticos por 100 mil habitantes, sendo um dos países que registou maior crescimento na força de trabalho farmacêutico, duplicando o número de farmacêuticos desde o início do século.

O nosso país é também o que mais se aproxima da média da OCDE no número de farmácias, com 28 farmácias por 100 mil habitantes.

Os dados reportados pela OCDE mostram que os encargos com produtos farmacêuticos dispensados em ambulatório nos países da OCDE representam cerca de um quinto da despesa total em saúde. Em Portugal, 55% dos encargos são suportados pelo Estado, através dos regimes de comparticipação de medicamentos e produtos de saúde. Apenas 1% é assegurado por seguros privados de saúde, ficando as famílias com 44% da despesa.

O mercado farmacêutico em ambulatório diminuiu 4,3% nos últimos dez anos, ao contrário do mercado hospitalar que cresceu 1,5%. Entre os países analisados no relatório da OCDE, Portugal é apenas superado pela Grécia, com crescimentos negativos, na ordem dos 5%, quer no ambulatório quer no hospitalar.

Nas quatro áreas terapêuticas analisadas no relatório da OCDE, Portugal apresenta-se como o quinto país da OCDE com maior consumo de antidepressivos, com 104 doses diárias por mil habitantes, quando a média dos países da OCDE está nas 63 doses diárias. Entre 2000 e 2017, o consumo destes fármacos no nosso país mais do que triplicou.

Por oposição, o consumo de antihipertensores em Portuga está abaixo da medida da OCDE. Ainda que se tenha verificado um crescimento acentuado em todos os países, de 70% em média, Portugal apresenta um consumo de 248 doses diárias por mil habituantes, um valor consideravelmente menor do que a média da OCDE, de 320 doses diárias.

No caso dos antidiabéticos e antidislipidémios, o consumo em Portugal está em linha com a média da OCDE. No primeiro caso, o consumo nos países da OCDE triplicou entre 2000 e 2017, mas os valores nacionais coincidem com a média da OCDE, com 68 doses diárias por mil habitantes; no caso dos medicamentos para diminuir o colesterol, as 110 doses diárias por mil habitantes estão ligeiramente acima da média 103 doses diárias nos países da OCDE.

O relatório da OCDE menciona ainda a prescrição de antipsicóticos para o tratamento de demências, área em que Portugal apresenta maior prevalência, estimando-se que a incidência possa duplicar até 2050. A OCDE alerta que o uso inadequado desses medicamentos permanece generalizado e que em 16 países da organização, em 2017, foram prescritos antipsicóticos a mais de 5% dos adultos com 65 anos ou mais.

Por outro lado, o consumo de medicamentos genéricos e biossimilares representa cerca de 50% em volume e 25% em valor nos países da OCDE, estando o nosso país ligeiramente abaixo da média, com uma quota de mercado de 46% em volume e 20% e valor.

Entre outros indicadores revelados pela OCDE, destaque para elevada percentagem de doentes em cuidados continuados que contraíram pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde, 5,9% refere o relatório.

O trabalho analisa alguns comportamentos de risco da população, destacando-se uma redução do consumo de álcool entre a população portuguesa e uma média de fumadores diários maiores de 15 anos também abaixo da média da OCDE.

O cenário é menos otimista no capítulo da obesidade, com 67,6% da população com mais de 15 anos a apresentar excesso de peso, incluindo obesidade, uma percentagem muito acima da média da OCDE, de 55,6%. O problema afeta também 31,7% das crianças portuguesas com idade entre os cinco e os nove anos.

Clique para aceder ao relatório "Health at a Glance 2019".