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Prémio internacional destaca contributo dos farmacêuticos na deteção precoce da fibrilhação atrial

03 Novembro 2017
Prémio internacional destaca contributo dos farmacêuticos na deteção precoce da fibrilhação atrial
A Associação de Fibrilação Atrial (AFA), uma organização internacional que se dedica à consciencialização para a fibrilhação atrial, atribuiu o Prémio Healthcare Pioneers ao projeto da International Pharmacists for Anticoagulation Care Taskforce (iPACT), no qual participaram mais de meia centena de farmacêuticos portugueses. O trabalho destaca a contribuição destes profissionais de saúde na deteção precoce daquela que é a perturbação cardíaca mais comum detetada pelos médicos, que afeta mais de 16 milhões de pessoas em todo o mundo e que pode ser prevenida com recurso a terapêuticas anticoagulantes.

"Pharmacists´ Contribution to Early Detection of Atrial Fibrillation – A Proof of Concept in Ten Countries” é o título do trabalho distinguido pela AFA, cuja coordenação esteve a cargo da farmacêutica e investigadora portuguesa Filipa Alves da Costa.

O projeto foi desenvolvido no âmbito da IPACT, uma plataforma internacional dedicada aos cuidados farmacêuticos na anticoagulação, que congrega farmacêuticos de mais de 20 países, mas que tem vindo progressivamente a envolver também outros profissionais de saúde, designadamente médicos cardiologistas, pessoas que vivem com doença e parceiros sociais.

Iniciado em 2016, em apenas cinco países, o trabalho foi alargado a um total de dez países já este ano (Portugal, Espanha, França, Suíça, Reino Unido, República Checa, Hungria, Canadá, Hong Kong e Nova Zelândia), estimando-se novo alargamento no próximo ano.

Em Portugal, o trabalho envolveu participação de farmacêuticos de 62 farmácias comunitárias, um hospital e uma residência de idosos. Ao todo, foram abrangidos mais de quatro mil utentes, que receberam informações sobre fibrilhação atrial e fizeram uma medição manual do pulso. Sempre que detetada qualquer irregularidade, os farmacêuticos fizeram a referenciação e o encaminhamento para o médico especialista.

No total da amostra, foram identificados 1,4% de novos casos, valor consistente com alguns estudos anteriormente publicados igualmente desenvolvidos em farmácia comunitária com vista à identificação precoce desta doença no âmbito de estreita colaboração interprofissional.

Filipa Alves da Costa destaca que este trabalho fornece evidência científica para a prestação novos serviços de saúde pública em farmácias comunitárias, para a prestação de cuidados diferenciados e para a colaboração com outros profissionais de saúde. "Este trabalho ensinou-se também que o processo de encaminhamento dos utentes deve ser adaptado aos sistemas de saúde e à literacia em saúde dos cidadãos”, acrescentou.

O IPACT disponibilizou formação a todos os participantes, procurando assim uniformizar as práticas nos diferentes países e adotando um conjunto de Boas Práticas validadas por organizações nacional e internacionais.

A responsável portuguesa destacou ainda que "os farmacêuticos estão sempre disponíveis para acompanhar os doentes crónicos, mas também os indivíduos não diagnosticados, razão pela qual as farmácias comunitárias são um espaço privilegiado para desenvolver este género de iniciativas de consciencialização e deteção precoce”.