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U.Porto atribui honoris causa a Aranda da Silva

04 Outubro 2017
U.Porto atribui honoris causa a Aranda da Silva
O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos entre 2001 e 2007, José Aranda da Silva, foi distinguido ontem pela Universidade do Porto (U.Porto) com a atribuição do título Doutor Honoris Causa, por proposta da Faculdade de Farmácia (FFUP). A cerimónia foi presidida pelo reitor da U.Porto, Sebastião Feyo de Azevedo, e contou também com a participação do diretor da FFUP, José Manuel Sousa Lobo, como padrinho do doutorando. O elogio do homenageado esteve a cargo do professor da FFUP e antigo vice-reitor da U.Porto, Jorge Gonçalves.
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A homenagem da U.Porto é justificada "qualidade excecional do percurso profissional” e "extensa obra publicada”, mas muito especialmente pela colaboração que José Aranda da Silva tem mantido com a Faculdade de Farmácia, em particular com os laboratórios do Departamento de Ciências do Medicamento, que "muito tem contribuído para o reforço das ligações da Faculdade à sociedade e para a sua afirmação a nível nacional e internacional”, refere a nota da U.Porto.

No elogio proferido pelo docente da FFUP, foi explicado que "o itinerário biográfico do Dr. Aranda da Silva assenta numa carreira técnico profissional repleta de feitos notáveis, mas está complementado com uma contínua militância cívica na defesa da causa pública e de combate pela liberdade, o que o torna o Dr. Aranda da Silva numa personalidade de exceção dos nossos tempos”.

Jorge Gonçalves considerou "justa e sábia” a decisão da U.Porto de conceder o título José António Aranda da Silva, "por tal ser a forma digna e justa da Universidade do Porto reconhecer um dos seus alumni que tanto a tem prestigiado”.

José Aranda da Siva sublinhou o sentimento de "grande honra” por receber esta distinção. "Foi nesta Universidade que me licenciei em Farmácia, foi nesta Universidade e na Cidade do Porto que vivi os momentos mais intensos da minha vida, que me casei e tive o primeiro filho. Foi nesta cidade e nesta Universidade que desempenhei, enquanto jovem, intensa atividade cívica e política”, disse o homenageando.

"O título que me é atribuído resulta de um longo percurso académico, profissional e cívico que só foi possível pela formação a que tive o privilégio de aceder e pelo apoio ao longo da vida de numerosas pessoas”, acrescentou, lembrando vários momentos e pessoas determinantes na sua vida.

Aranda da Silva apontou, durante o seu discurso, alguns desafios que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) atualmente enfrenta, designadamente o seu subfinanciamento crónico, mas também sobre a necessidade de reflexão sobre o seu futuro, que, em sua opinião deve "investir mais na prevenção e promoção da saúde em articulação com o Sistema de Segurança Social e Sistema Educativo”.

Para o ex-presidente do Infarmed, o SNS não deve ficar dependente dos ciclos políticos. "Temos de procurar novas formas organizacionais que permitam a integração dos diversos níveis de cuidados de saúde tornando mais fácil a ´navegabilidade´ do cidadão no sistema de saúde, tornando-o mais acessível e mais eficiente”, defende.

Aranda da Silva considera que "os farmacêuticos, através da sua qualificação académica e proximidade da população estão em excelentes condições para dar um importante contributo para a mudança”, lembrando que "diariamente mais de 400 mil cidadãos contactam com os farmacêuticos portugueses, quatro vezes mais dos que os que acedem todos os dias ao SNS nas consultas e diversos níveis e serviços de urgência”.

Por isso, o ex-bastonário da OF considera "inaceitável” o SNS desperdiçar a qualificação, tecnologia e acesso que os farmacêuticos disponibilizam ao país”. No entanto, sublinhou, "esta mudança também tem de passar pela alteração do sistema de remuneração das farmácias, de forma a não ficarem totalmente dependentes de margens comerciais associadas à dispensa de medicamentos”.

"A capacidade técnica e científica dos farmacêuticos tem de ser colocada ao serviço do sistema de saúde e do SNS através de maior número de programas estruturados de promoção da saúde e prevenção da doença com parcerias concretas com entidades públicas e privadas”, disse ainda.

A sua intervenção terminou com um apelo a uma utilização adequada e integrada dos recursos farmacêuticos – farmácias e laboratórios de análises clínicas, principalmente, enquanto estruturas de proximidade, - nos programas de saúde do SNS.