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Consórcio europeu propõe implementação de programas de gestão da polimedicação

07 Dezembro 2017
Consórcio europeu propõe implementação de programas de gestão da polimedicação
O consórcio europeu Simpathy - Stimulating Innovation Management of Polypharmacy and Adherence in the Elderly - apresentou no dia 4 de dezembro, no Auditório do Infarmed, em Lisboa, o documento “Polypharmacy Management by 2030: a patient safety challenge”, em que são sintetizados os resultados de dois anos de investigação sobre programas de gestão da polimedicação para idosos.

Este projeto, liderado pelo Governo escocês e financiado pela União Europeia, através do 3º Programa Europeu de Saúde, reuniu uma equipa multidisciplinar de oito países e dez instituições, e cuja equipa portuguesa foi constituída por cinco docentes da Universidade de Coimbra (Faculdades de Medicina e de Farmácia) e um da Universidade de Lisboa (Faculdade de Farmácia), com o objetivo de identificar e sensibilizar os decisores para a implementação de políticas nacionais, regionais ou locais de gestão da polimedicação.

Neste contexto, foi elaborado um roteiro para que todos os cidadãos europeus possam beneficiar deste tipo de programas até 2030, lançando-se um apelo para que os países possam trabalhar em conjunto na gestão e prevenção da polimedicação inapropriada e na promoção da adesão à terapêutica, através de uma intervenção coordenada e colaborativa entre profissionais de saúde.

A sessão de apresentação de resultados reuniu, para além da coordenadora do Simpathy Alpana Mair, os vários investigadores portugueses que participaram neste trabalho e incluiu também um painel de discussão interdisciplinar, que visou identificar barreiras e soluções que abram caminho à elaboração de programas de gestão da polimedicação em Portugal, tirando partido da experiência criada por este projeto europeu. A sessão contou com a participação da bastonária da Ordem dos Farmacêuticos e de representantes da Ordem dos Médicos, Infarmed, Estratégia Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável  e do Consórcio Simpathy.

Estes parceiros reconheceram que a formação universitária, tanto pré- como pós-graduada, não prepara médicos e farmacêuticos para a interdisciplinaridade. No entanto, reconheceram na educação um alicerce importante para o bom funcionamento de futuras equipas multidisciplinares que atuem na área da polimedicação.

De acordo com estes especialistas, os decisores políticos e autoridades nacionais de saúde devem analisar os dados existentes sobre os problemas associados à polimedicação e desenvolver normas de orientação clínica que uniformizem a intervenção dos profissionais de saúde juntos destes doentes.

Uma das propostas abordadas neste painel diz respeito à criação da figura do "gestor do doente”, que poderá ser o próprio médico de família, atuando em colaboração com o farmacêutico na revisão da medicação.